Termo geral atribuído às várias correntes vanguardistas da arte e da arquitectura que dominaram a cultura ocidental durante um longo período do séc. XX; movimento literário em que a literatura surge associada às artes plásticas e é por estas influenciada... (in dicionário da Priberam).
O Modernismo surgiu num contexto de estabilidade política, prosperidade e conquistas e progresso científico (este tempo possibilitou estas inovações no campo da arte).
É essencialmente marcado pela ruptura formal, técnica e estética. A renovação revelou-se no privilegiamento da sensibilidade e fantasia, do refinamento estético e da imaginação. O estilo que encetou o Modernismo foi a Arte Nova.
A desmesurada industrialização não foi bem aceite por todos. A fabricação em série começou a produzir
objectos vulgares e com falta de originalidade. Assim, em meados do séc. XIX, alguns teóricos ingleses, como John Ruskin e William Morris, dinamizaram um movimento — o movimento Arts and Crafts — que lutou contra a industrialização da arte; procurando a revalorização da última, apoiaram a separação total entre a arte e a indústria.
Formados segundo a estética romântica e medievalista, Ruskin e Morris lutaram por uma arte pura, criada
individualmente, original e de bom gosto, e cujos princípios se deviam aplicar a todas as artes (unidade das
artes), o que era conseguido com a rejeição de processos industriais.
Para estes teóricos, o objectivo da arte era o de melhorar as condições de vida e de educar o povo no que
diz respeito à estética, assim aumentando a qualidade de vida material.
Em 1874, Morris criou o atelier Morris and Co., onde reuniu vários artistas plásticos e mestres artesãos
para produção nos campos da arquitectura, tapeçaria, mobiliário..., organizando, no final, uma exposição para popularizar as criações da sua oficina.
O movimento Arts and Crafts realizou-se em várias obras, as mais evidentes sendo moradias familiares
rústicas de tradição inglesa (estética medieval), irregulares no exterior, de formas orgânicas no interior, com
peças de mobiliário, papel de parede, estofos, cortinas... sempre em consonância com a construção.
Assim, pode dizer-se que o movimento Arts and Crafts desenvolveu principalmente as Artes aplicadas,
tendo sido a grande base da Arte Nova e do design.
--- A arquitectura europeia, na segunda metade do séc. XIX, evoluiu segundo os padrões românticos.
Defendia-se, no ensino, que a arquitectura artística devia ocupar-se de questões formais e estéticas da edificação. A posição academista também impediu os arquitectos de se actualizarem: não houve aceitação dos novos materiais e sistemas construtivos e não revolucionaram formalmente o suficiente para se poder chamar de revolucionário qualquer estilo que então se experimentava.
No entanto, com outra abordagem diferente à arquitectura, os engenheiros, mais preocupados com a funcionalidade, secundarizam a estética. Com o crescimento demográfico acentuado nas cidades, foi preciso alojar milhares de pessoas, o que deu origem à construção em altura e, subsequentemente, a problemas do foro construtivo que precisavam de ser resolvidos. Foi preciso, portanto, remodelar os sistemas construtivos vigentes.
Os engenheiros, face a este problema, usaram criativamente as suas potencialidades científicas, que lhes
permitiam ir muito mais longe do que os arquitectos. Aplicaram, deste modo, os saberes científicos no ramo da
física, novos equipamentos e meios construtivos e novos materiais. Esta visão mais pragmática, mais funcionalista e racional acabou por ser um dos fundamentos da arte moderna.
Entre os novos materiais, o ferro ganhou um papel muito importante devido à sua resistência, preço e plasticidade. Permitia, entre outros, vãos abertos muito maiores, que deixavam entrar a luz, podendo ser usados sem que delimitassem um espaço interior.
O ferro foi inicialmente usado na construção de pontes. Depois de testada a sua eficácia, foi então transferido para a construção de edifícios com grandes vãos.
No princípio, a não aceitação do ferro foi evidente: este era escondido com estruturas em pedra, mármore e tijolo. Mais tarde foi usado explicitamente em edifícios como estações de caminhos de ferro. O primeiro edifício a receber este tratamento foi o Palácio de Cristal, de Paxton, que acolheu a primeira exposição universal em Londres em 1851.
A partir do momento em que foi utilizado, a arquitectura usando o ferro foi adaptada ao uso em várias tipologias, como mercados, galerias, fábricas, jardins de inverno...
A utilização do ferro na arquitectura traduziu-se em inovação: modernizou os sistemas e processos de construção e promoveu o desenvolvimento de novos gostos e outros conceitos estéticos.
- Palácio Cristal, Porto